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Ronaldo Fenômeno quebra o silêncio sobre venda do Cruzeiro e nega lucro
Por Redação Raposa Azul em 29/12/2025 16:43
A passagem de Ronaldo Nazário pelo comando majoritário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Cruzeiro continua gerando debates intensos, especialmente após as recentes declarações do ex-jogador na Cúpula Mundial do Esporte, realizada em Dubai. O Fenômeno, que transferiu o controle do clube para o empresário Pedro Lourenço em 2024, utilizou o fórum internacional para fazer um balanço de sua gestão e esclarecer os termos financeiros de sua saída da Toca da Raposa.
De acordo com o ex-atleta, a motivação para assumir o Cruzeiro em 2021, quando o time enfrentava o ostracismo da Série B, foi pautada por uma gratidão histórica, já que foi no clube mineiro que ele iniciou sua carreira profissional em 1993. Ronaldo enfatizou que, ao contrário do que o senso comum poderia sugerir sobre transações de grandes ativos esportivos, a operação de venda para o dono dos Supermercados BH não resultou em ganhos financeiros para o seu bolso.
Ao analisar os números e o impacto de sua gestão, Ronaldo destacou o cumprimento da missão de reestruturação institucional. O quadro abaixo resume os principais marcos dessa transição entre 2021 e 2024:
| Período | Ação Principal | Status Financeiro/Esportivo |
|---|---|---|
| Final de 2021 | Compra de 90% das ações da SAF | Dívida estimada em US$ 200 milhões |
| Temporada 2022 | Retorno à Série A do Brasileiro | Acesso garantido com 5 rodadas de antecedência |
| Maio de 2024 | Venda das ações para Pedro Lourenço | Dívidas quitadas e clube estabilizado |
Impacto financeiro e a quitação de dívidas bilionárias
O desafio assumido por Ronaldo era hercúleo. O empresário revelou que foi alertado por um amigo sobre a situação crítica do Cruzeiro, sendo apontado como a única figura capaz de evitar o desaparecimento da instituição. "A dívida era de US$ 200 milhões, e eu não tinha esse dinheiro. Mas, no futebol, com tanta paixão e tantos torcedores, qualquer desafio te fortalece, e eu disse: 'Vou tentar'", recordou o gestor durante sua participação no evento em Dubai.
A estratégia de saneamento parece ter surtido efeito dentro e fora de campo. Após dois anos de estagnação na segunda divisão, o Cruzeiro não apenas retornou à elite do futebol nacional sob a batuta do Fenômeno, como também conseguiu resolver pendências financeiras asfixiantes. "No primeiro ano, conseguimos o acesso cinco rodadas antes do fim. E quitamos a dívida. Vendi o time no ano passado e não lucrei nada, mas salvei o clube da falência", afirmou categoricamente Ronaldo, reforçando seu papel de "salvador" em um momento de necessidade extrema.
Para o ex-camisa 9, o compromisso com o Cruzeiro era uma questão de honra. Ele reconheceu a importância da agremiação em sua formação, afirmando que "Era um dos cinco maiores clubes quando comecei a jogar, e eu tinha uma dívida com eles." Essa ligação emocional foi o combustível para enfrentar um cenário onde o risco de insolvência era iminente e a pressão da torcida era constante.
A formação executiva de Ronaldo e a influência de Florentino Pérez
Distante das salas de aula convencionais, Ronaldo Nazário defende que sua competência administrativa foi forjada nos bastidores dos maiores clubes do planeta. Tendo se transferido para o PSV Eindhoven aos 17 anos, ele abdicou da educação formal em prol de uma vivência prática sem precedentes no mercado esportivo. "Meu MBA foi jogar pelo mundo, aprendendo com presidentes, diretores de marketing, diretores financeiros...", explicou o empresário, que recentemente também se desfez de suas ações no Valladolid, da Espanha.
Nesse processo de aprendizado, uma figura se destacou como mentor indireto: Florentino Pérez, mandatário do Real Madrid. Ronaldo não poupou elogios ao dirigente espanhol, classificando-o como uma referência absoluta em gestão desportiva. "No Real Madrid, foi muito especial porque, pela primeira vez, um presidente mudou o mundo do futebol em todos os sentidos: Florentino Pérez, que é o melhor presidente que já conheci", pontuou, indicando onde buscou inspiração para suas próprias decisões executivas.
Bastidores da carreira e a polêmica sobre os treinamentos
Além dos negócios, o Fenômeno revisitou momentos icônicos de sua trajetória nos gramados, como a histórica atuação contra o Manchester United no Old Trafford, em 2003. Naquela ocasião, mesmo com a vitória dos ingleses por 4 a 3, os três gols de Ronaldo garantiram a classificação merengue e uma ovação de pé da torcida adversária. "Foi o momento mais especial que já vivi fora de casa. Todos os torcedores do United estavam me aplaudindo. Eles me mostraram muito respeito. Os torcedores britânicos, com os do Brasil, são os melhores do mundo", relembrou com nostalgia.
Por fim, o ex-atleta aproveitou o espaço para desmistificar a fama de que negligenciava a preparação física durante sua fase ativa. Com um tom crítico à forma como o treinamento era percebido, ele explicou que sua metodologia era focada na funcionalidade para sua posição. "Existe um mal-entendido sobre isso. Não era necessário correr 10 ou 15 km. Eu não precisava disso. Eu só precisava ser capaz de dar um pique de 20 ou 15 metros muito rápido", concluiu, defendendo a especificidade técnica que o consagrou como um dos maiores atacantes da história.
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