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Alex revela bastidores inéditos de sua quase demissão do Cruzeiro em 2003

Por Redação Raposa Azul em 29/08/2026 02:10

A gloriosa história do Cruzeiro em 2003 está imortalizada na memória de todo torcedor, mas poucos compreendem o quão perto essa era de ouro esteve de nunca existir. Os números alcançados por Alex de Souza dentro das quatro linhas são indiscutíveis e o colocam no panteão dos maiores ídolos do clube. Ao longo de sua jornada em Belo Horizonte, o meio-campista apresentou métricas de desempenho que até hoje parecem impressionantes.

Período / Competição Partidas Disputadas Gols Marcados Assistências
Trajetória Total no Clube 121 64 61
Temporada de Ouro (2003) 63 39 39

Em maio de 2004, após assegurar mais um título estadual para a Raposa, seu ciclo foi encerrado com uma transferência para o Fenerbahçe, da Turquia, pelo valor de 5 milhões de euros. No entanto, por trás desses dados espetaculares, escondia-se um cenário de bastidores repleto de atritos, desconfiança e entraves administrativos que quase abortaram sua trajetória em Minas Gerais.

O impacto de Vanderlei Luxemburgo e a resistência da diretoria do Cruzeiro

A consolidação do maestro em campo só ocorreu devido à intervenção direta de Vanderlei Luxemburgo, no final de 2002. Ao assumir o comando técnico do elenco, o treinador ignorou a oposição interna e telefonou pessoalmente para o jogador, revelando o ambiente pesado que o aguardava na Toca da Raposa.

"Alex, ninguém quer você aqui no Cruzeiro, ninguém. Mas eu quero você aqui. Eu e as lideranças do time achamos que você pode nos ajudar"

Essa rejeição interna não se limitava à diretoria comandada pelos irmãos Alvimar e Zezé Perrella; ela também ecoava na imprensa local e em parte da torcida. Ao desembarcar no aeroporto da Pampulha, o meio-campista enfrentou um clima de extrema desconfiança. O próprio motorista enviado pelo clube foi flagrado em uma ligação telefônica com o dirigente Benecy Queiroz disparando desdém contra o reforço.

"Ah, o Alex está aqui. Vamos ver se ele joga agora, né? Se ele não rouba o Cruzeiro...". Assim começa a minha história.

Para dobrar a resistência dos dirigentes cruzeirenses, Luxemburgo colocou sua própria reputação e recursos financeiros em xeque, utilizando um argumento contundente nos bastidores do clube.

"Se o Alex não funcionar aqui, vocês não precisam pagar para ele. Eu mesmo pago do meu bolso"

Mesmo aceitando um patamar salarial reduzido para a temporada de 2003, a relação entre o capitão e a cúpula dos Perrellas nunca se estreitou, mantendo-se estritamente profissional. Ao refletir sobre esse distanciamento, Alex apontou a falta de respeito na condução de sua primeira saída.

"Toda a minha relação com os Perrellas era muito ruim. Um dos maiores desrespeitos que tive na minha carreira foi a forma como eles me mandaram embora em janeiro de 2002. No final, a gente se tratou como homens, com respeito, mas não tinha relação. Eu me transformei no Alex do Cruzeiro pela insistência do treinador, que confiava muito em mim e eu confiava muito nele"

A ameaça da FIFA e a rejeição de outros clubes brasileiros

Antes de retornar para triunfar sob a batuta de Luxemburgo, o atleta enfrentou um período sombrio no início de 2002. Acusado de manter vínculos contratuais simultâneos com o Parma e com o Cruzeiro , ele sofreu uma suspensão da FIFA que ameaçou encerrar sua carreira precocemente. O impasse jurídico só foi desfeito na Suíça, por meio de uma reunião emergencial envolvendo o advogado Marcos Motta e o dirigente italiano Arrigo Sacchi.

Livre do imbróglio internacional e após uma rápida passagem pelo Palmeiras, Alex retornou à Europa para rescindir em definitivo seu contrato com o clube italiano. De volta ao Brasil, seu destino quase o levou para longe de Belo Horizonte.

O São Caetano demonstrou interesse em sua contratação, mas o estilo tático do técnico Mário Sérgio, que priorizava um esquema defensivo com quatro volantes, inviabilizou o negócio. O Grêmio também formalizou uma proposta idêntica à do Cruzeiro , e a família de sua esposa demonstrava preferência por Porto Alegre, mas o conselho familiar e o chamado de Luxemburgo pesaram para o retorno a Minas Gerais.

O início conturbado na Toca da Raposa e a demissão por telefone

Toda essa saga teve origem ainda em 2001, quando Alex pisou pela primeira vez na Toca da Raposa a pedido de Paulo César Carpegiani. Seus meses iniciais, contudo, foram marcados por extrema instabilidade burocrática. Disputas judiciais promovidas pelo Parma e pela Parmalat bloqueavam constantemente seu registro legal, impedindo-o de entrar em campo.

"La história do Cruzeiro é meio picotada... O Parma e a Parmalat cassavam a minha liminar. Eu perdi dois jogos do Cruzeiro em que estava pronto para entrar. Chegava o oficial: 'Não pode jogar'. Eu pronto para jogar, e o seu Benecy Queiroz falava: 'Alex, a tua liminar está cassada'. Aquela loucura"

A situação se deteriorou ainda mais com a rotatividade no banco de reservas. Após as saídas de Carpegiani e Ivo Wortmann, Marco Aurélio assumiu o comando técnico. O novo treinador carregava ressentimentos da época em que trabalharam no Palmeiras, alimentados por boatos de que o meia teria articulado sua demissão no clube paulista.

No início de 2002, enquanto se preparava para retornar das férias, o jogador recebeu um telefonema que definiu o nível de amadorismo da gestão da época. O diretor de futebol, Eduardo Maluf, comunicou seu desligamento sumário enquanto o atleta se deslocava para o aeroporto.

"Toca o meu telefone. Era o Eduardo Maluf, diretor do Cruzeiro, falando assim: 'Ó, teve uma reunião aqui e o Marco Aurélio não te quer no time'... Ele falou: 'As pessoas não querem te ver aqui. Manda um advogado, manda um procurador, mas não apareça aqui'. Eu fico à deriva, sem solução com o Cruzeiro."

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