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Cruzeiro recusa R$ 207 milhões do Flamengo por Kaio Jorge e dita novas regras
Por Redação Raposa Azul em 05/01/2026 03:14
A postura do Cruzeiro no mercado de transferências atual reflete uma metamorfose profunda em sua saúde financeira. Recentemente, a cúpula mineira protagonizou um movimento de autoridade ao declinar uma oferta de 32 milhões de euros vinda do Flamengo pelo atacante Kaio Jorge. O montante, que alcançaria aproximadamente R$ 207 milhões, foi considerado insuficiente diante do planejamento estratégico da Raposa para as próximas temporadas.
Diferente de períodos anteriores, onde o clube se via forçado a se desfazer de seus ativos para honrar compromissos imediatos, a negativa atual sustenta-se em um caixa robusto. O vice-presidente Pedro Junio foi direto ao abordar a permanência do centroavante e a rejeição aos valores propostos pelos cariocas, sinalizando que o clube não facilitará a saída de suas peças fundamentais.
"A situação do Kaio Jorge se matem a mesma: tem contrato com o clube. Recebemos a oferta do Flamengo, que foi recusada. No nosso entendimento, o valor é muito inferior ao que a gente pensa sobre o atleta, o potencial que ele tem. O atleta que vai se representar no dia 5, normalmente, como o restante do elenco."
A inversão de papéis e o novo patamar de negociação
O cenário atual é o oposto do que se viu na transação de Arrascaeta, em 2019. Naquela época, a fragilidade administrativa obrigou o Cruzeiro a aceitar 15 milhões de euros pelo uruguaio para evitar sanções fiscais e cumprir as exigências do Profut. Hoje, sob a gestão de Pedro Lourenço, o clube mineiro inverteu a lógica: é o Cruzeiro quem vai ao mercado buscar nomes de peso, como as recentes aquisições de Cássio, Matheus Henrique e o próprio Gabigol, que deixou o Ninho do Urubu rumo à Toca da Raposa.
Para ilustrar a mudança drástica na capacidade de retenção e venda do clube, veja o comparativo entre as duas negociações emblemáticas envolvendo o Rubro-Negro carioca:
| Jogador | Ano | Valor da Oferta/Venda | Status da Negociação | Contexto Financeiro |
|---|---|---|---|---|
| Arrascaeta | 2019 | ? 15 milhões | Vendido | Necessidade de fechar balanço |
| Kaio Jorge | 2025 | ? 32 milhões | Recusada | Independência financeira |
Enquanto o Cruzeiro se consolida, o Flamengo, por meio de seu presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, admitiu que precisou realizar movimentos de caixa no início de 2025, incluindo a venda do zagueiro Fabrício Bruno para o próprio time mineiro por cerca de R$ 44 milhões. Segundo o mandatário rubro-negro, a transação foi fundamental para equilibrar as contas naquele momento específico.
Estratégia agressiva e o teto de 50 milhões de euros
Mesmo com a necessidade de recompor o caixa no início do ano, o discurso do Flamengo mudou conforme a temporada avançou. O clube carioca sinalizou disposição para investimentos pesados, mas encontrou um Cruzeiro inflexível. A Raposa estabeleceu que Kaio Jorge só deixa Belo Horizonte mediante o pagamento de 50 milhões de euros (cerca de R$ 324 milhões), valor que o Flamengo, até o momento, não demonstra disposição em atingir.
Sobre a capacidade financeira de sua gestão, Bap afirmou publicamente a força do clube carioca para os próximos anos, embora a oferta por Kaio Jorge tenha sido barrada:
"Se eu tiver que gastar R$ 1 bilhão para continuar ganhando a p... toda, eu posso gastar. Uma coisa é você querer gastar e não poder porque não pode pagar. A decisão de gastar só tem consequência, tem que ter dinheiro para pagar. E quando eu olho dentro desse horizonte de dois anos de planejamento, eu poderia gastar R$ 1 bilhão. Devo? Aí entra a avaliação. Vamos caminhar um dia de cada vez."
A resistência cruzeirense marca um novo capítulo na relação entre os dois gigantes. Se antes o clube mineiro servia como vitrine para o enriquecimento técnico do rival, agora a Raposa utiliza sua estabilidade para proteger o elenco e desafiar o poderio econômico do eixo Rio-São Paulo. O monitoramento do Flamengo sobre Kaio Jorge continua, mas o Cruzeiro deixou claro que o tempo de vendas por necessidade financeira ficou no passado.
"O fluxo de caixa estava delicado, fizemos esforços importantes entre a posse e o início do ano. Alguns parceiros que tinham atrasados foram razoáveis e conseguiram ajudar o clube. O Fabrício Bruno foi uma combinação de fatores. O atleta não queria permanecer aqui. Ele tinha vontade de ir para o Cruzeiro e é legítima. Nós chegamos a um bom termo para receber à vista. É um ano difícil, com taxa de juros altíssima, começar o ano com o caixa recomposto é fundamental"
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